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Coleta Filmes lança “House Sounds” e conta a trajetória de coletivo de SP

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Em um trabalho de total qualidade e de alta importância pro cenário sound system nacional, a Coleta Filmes acaba de lançar o documentário House Sounds, que conta a história do sistema de som homônimo criado na zona sul da capital paulista. Esses registros ajudam não só a conhecermos a história individual de cada crew como também – e principalmente – permitem a documentação histórica dessa movimentação em território nacional.

Conversei com o Bruno “Ricota” Ramos, um dos fundadores da Coleta Filmes, que conta um pouco mais sobre o filme e sobre o trabalho da produtora para os leitores do Groovin Mood.

(por Dani Pimenta)

Groovin Mood – Quem são / o que é a Coleta Filmes e qual a ligação de vocês com o universo da reggae music / sound system?

Ricota: A Coleta Filmes surgiu em 2012. No período eu estava sem trampo e desenvolvendo a ideia do Originais 011 com o Banzé (Allan Lima) e o Vinicius Valadão. (Abaixo um vídeo que fala um pouco do que é o Originais 011). Já o Balão (Eduardo Lázaro) fazia os registros da Kombi do Rap. O Allan me apresentou o Balão no TCC deles da faculdade no ano anterior.

O Balão já tinha um equipamento legal pra época, e eu estava num ritmo bom de edição e com tempo livre. Resolvemos então nos unir e fazer uma coisa só, e foi assim que surgiu a Coleta. Saiu o primeiro vídeo da Kombi do Rap e, na sequência, o Originais 011, e nossa intenção era fazer do Originais uma série com personagens representativos na cultura de rua de SP naquele ano, mas ficou inviável manter o nível de qualidade e a frequência de diárias sem apoio. Voltamos a trampar no mercado convencional e finalizamos apenas uma edição que foi sobre graffiti throw up com o Sativo. Pretendemos um dia retomar o projeto pois temos bastante material guardado, inclusive sobre soundsystem. Daí pra frente focamos em cultura de rua e vários outros projetos foram registrados por nós.

A Coleta é formada atualmente por mim, Allan Lima (Banzé) e Eduardo Lazaro (Japa, Dread ou Balão), mas em vários projetos outros profissionais somam conosco. No design sempre solicitamos nossos parceiros Vinicius Valadão, Julio Falas, Frencl Xuxinha, Paty Oliveira, os fotógrafos do DiCampana José, Gessé Silva e Leo Brito, Rafael Ribeiro (Brabo Films) sempre somam também, enfim, muita gente está conosco, graças a Deus!

A ligação com o soundsystem vem de gosto mesmo. Comecei a frequentar os bailes em 2007 e nunca deixei de acompanhar o que acontece, mesmo que de longe em alguns momentos, mas sempre interessado sobre essa cena. Na época estava começando a fotografar skate com os amigos do bairro e a maioria frequentava o Java na época do Hole (saiba mais sobre o Java clicando AQUI). Vez ou outra eu levava minha câmera pros bailes de rua e vi ali um caminho para seguir, onde tinha liberdade pra clicar e curtir as festas. Em 2008 expus algumas fotos na festa Primous no Hole a convite do Vinicius Flow, e fui conhecendo mais as pessoas da cena e muitas portas se abriram.

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O Balão trabalhou na Colex por um tempo e sempre teve essa conexão também. Foi produtor de algumas bandas, ele era quem tinha o maior contato com a cena musical, já estava trabalhando com isso na época. E o Banzé é meu parceiro de infância, estudamos juntos na mesma escola. Em 2007, quando ele ingressou na universidade no curso de Rádio e TV caiu na mesma sala do Balão, e daí pra frente muitas coisas aconteceram.

GM – Por que a escolha do House Sounds como foco do doc? Qual a relação de vocês com o coletivo?

Ricota – O Daniel (Jump), seletor do House Sounds, me procurou pois precisava rapidamente de um vídeo curto para apresentar o coletivo no período em que viajou para fora do país. Nós começamos a filmar e, no decorrer, percebemos que o vídeo tinha um potencial maior, então passamos a registrar mais edições da Revelation Time (festa organizada pelo coletivo) e partimos pra esse formato com entrevista e história da crew.

O Daniel é outro amigo de infância. O conheci andando de skate e, quando comecei a comprar discos, ele também estava na mesma pegada. Trocávamos alguns títulos, emprestávamos outros, daí aumentou a proximidade. O foco dele sempre foi música jamaicana, e em 2011 entrei numa produtora de vídeo e passei a me interessar mais por cinema. Vendi a câmera fotográfica e passei a filmar. Nessa produtora fiquei mais próximo do Caio Saad, que fundou o Laje Foundation com o Pulga (primórdios do House Sounds). Eles começaram a fazer sessões aqui no Bowl do Arariba na zona sul, e desde essa época coleto imagens do Daniel, seja no skate ou no soundsystem.

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GM – Quando o doc começou a ser captado e quando foi finalizado?

Ricota – Começamos o doc dia 31/07/16 precisamente, e foi finalizado no começo de janeiro/2017.

GM – Quais foram os momentos mais marcantes pra vocês da Coleta durante a captação?

Ricota - Com certeza a festa final com o Dubversão na Praça do Campo Limpo. Foi uma celebração de fim de ano. Nós da Coleta também estávamos promovendo uma exposição de fotógrafos e artistas da região na mesma festa, e rolou também a estreia do sistema completo do House Sounds, foi a primeira vez do Dubversão na praça, foi foda!

GM – Qual a importância de retratar e documentar a cena sound system da forma que vocês fizeram?

Ricota – Justamente documentar o que vem sendo feito, propagar o que acreditamos, incentivar outras pessoas e poder divulgar nosso trabalho a partir de uma cultura que acreditamos e vivenciamos. Mostramos no doc o jeito que eles fazem, o jeito dos caras, cada um tem a sua maneira e a do House Sounds é essa. Entrou o que filmamos, valorizamos o trabalho do Daniel e do José por aqui, pois eu moro nesse bairro e vejo o que eles fazem não é de hoje. Como o daniel mesmo diz, “eu tinha as caixinhas”, e era mesmo. Ele levou pra rua as caixinhas de microsystem e os discos por diversas vezes, durante anos. Nada vem de graça.

E nós da Coleta sempre vimos desde o início essa situação como uma união de forças. O House Sounds vai nos ajudar e vamos ajudar o House Sounds.

GM – Em quais outros projetos relacionados à música a Coleta atua?

RicotaJam Lab (plataforma de música jamaicana feita no Brasil); Kombi do Rap (Kombi intinerante que leva shows de hip hop às periferias de SP). Outros já realizados foram Amemafitamixada, Projeto Nave & Pac Div e Viegas.

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