Mapa Sound System BR Nordeste

Mapa Sound System Brasil – Missigena Sound System (Natal / RN)

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É com muito orgulho e admiração que recebo nesse Mapa Sound System Brasil o Missigena Sound System, diretamente de Natal, Rio Grande do Norte. Conversei com Klay Missigena, que nos conta um pouco mais da trajetória do coletivo e de suas experiências pessoais com a música. RESPECT!

(por Dani Pimenta)

“O início da nossa contribuição para a disseminação da cultura dos sistemas de som teve início em 2005 em Natal, Rio Grande do Norte. Até aquele ano, eu atuava como baixista de uma banda de reggae local chamada Monte Sião, e também fazia seleções com arquivos digitais no intervalo das apresentações da banda. Com o fim desse projeto, passei a dedicar tempo na busca por uma forma mais original de me envolver com a música reggae e sua essência. O resultado está resumido nestes anos todos: muitos amigos, importantes vivências e ainda muito o que aprender durante a caminhada. Apesar deste tempo considerável de atividades, sinto que é preciso contribuir de forma mais efetiva. Por isso, estamos evoluindo gradativamente em busca do equilíbrio entre absorver e transmitir.”

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Klay conta como tudo começou exatamente. “Em 2004, eu havia conhecido o D Banks do Megaton Dub (e parte dos seus tunes) durante um evento onde vitrolas estavam instaladas nos corredores da UFRN para que o público pudesse ouvir seus discos. Na ocasião, trocamos valiosas informações, ouvimos várias clássicas, iniciamos uma grande amizade e então, a partir daí, eu passei a ter uma noção melhor sobre o trabalho das equipes que atuavam naquele momento aqui no Brasil.” A conexão rendeu bons frutos. “Fui morar em São Paulo para iniciar meu mestrado, e já sabendo onde deveria ir. D Banks também me apresentou ao Ras Wellington (Fya Dub), com quem fiz a primeira aquisição de títulos de reggae em vinil (NOTA DO BLOG: eu, Dani, também fiz minha primeira compra de reggae com o Wellington. Salve, Ras!).”

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“Frequentei algumas sessões organizadas pelo Ras, onde conheci, dentre outros, nomes como Planeta Dub e Zulusoljah. Aprendi muito nas sessões promovidas pelo Coletivo Jahmaicano, nas festas Dubplate, Stamina Dancehall, Reggaematic Control e, claro, sem falar nas sessões de rua do Dubversão e nas aulas do Java, incluindo as memoráveis com Digitaldubs, Zion Train, Ranking Joe e U-Roy. A partir daí a rede de conexões cresceu, e eu tive o privilégio de conhecer muitas pessoas envolvidas naquele momento com a cultura soundsystem aqui no Brasil, incluindo o Simba Ahmlak (Congo Nya), o Andjo (LDM/ I-Land Rebel), o Stranjah (Moa Ambessa/ Reggaematic) e o Lucas (Corpo Santo). Em natal, o D Banks e o Meza (antigo vocal do Monte Sião) armaram as sessões do Fósforo in Dub, que teve edições regulares por um tempo. Entre 2005 e 2008 fui seletor residente no Jardim Elétrico, um extinto bar que ficava próximo à USP. Inicialmente atribuído ao título da festa, Missigena Sounds passou a ser o nome do meu projeto desde então.”

“Aos poucos consegui alguns periféricos e comecei a participar de algumas festas esporádicas além daquelas do Jardim Elétrico. Em Natal (na época das férias do mestrado) realizei também algumas sessões ao lado do Meza. As promoções eram na base da cooperação, com todo mundo participando. Neste contexto, é importante ressaltar as conexões estabelecidas com as bandas Seiva (MG) e Ambulantes (SP) durante minha participação no festival Osama Bin Reggae de 2006. Em julho de 2008, eu e o Corpo Santo, numa parceria que também rendeu bons frutos, conseguimos promover uma sessão na Escola de Comunicações e Artes da USP, entre o Jurassic Sound (estreando suas caixas) e o Dubversão, que salvo engano, foi a primeira ocasião na qual as duas equipes tocaram lado a lado. A esta altura, eu já tinha iniciado o processo de elaboração de um sistema de som, que teve que ser adiado por um tempo. Um mês depois daquela sessão, eu já estava de malas prontas para passar uma temporada trabalhando em um projeto de doutorado fora do país.”

“Quando cheguei aos Estados Unidos, logo consegui um horário na rádio universitária e promovi o Lambsbread Selections, que durou cerca de um ano, indo ao ar todos os sábados com o melhor do acervo Missigena (incluindo os primeiros dubplates). Depois deste período, retornei à Natal e as atividades foram reiniciadas ao lado do Meza. Reformamos as antigas caixas que usávamos para ensaiar com a banda, adquirimos algumas outras e passamos a realizar sessões frequentes com este sistema de som, o Monte Sião. Em seguida, as pesquisas se intensificaram e, no final de 2010, adquiri um pré-amplificador Jah Tubbys. Nesse intervalo acabei conhecendo o técnico de som Francisco (Capitão Kinho) e também o Renato (Tapuyo), integrantes da equipe atual. Com isso, o processo de elaboração do sistema de som próprio foi retomado. Adaptamos um conjunto de caixas do Capitão, e, desde então, trabalhamos com um sistema de três vias e uma potência total de 8000 W.”

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“Amplificamos várias sessões com este sistema de som aqui em Natal, convidando as equipes Dubfoundation, Deskareggae, Quilombo Hi-Fi, Zion Gate, High Public e os singjays Jacob, Ras Timbre e Lioness Laylah. Realizamos também, de forma pioneira, a integração do sistema de som com outros artistas aqui da nossa cidade, sempre que possível, agregando as ideias com o Chico Bomba, o Carcará na Viagem e o Neguedmundo, por exemplo. As promoções de rua incluem, além de outras, as sessões residentes nos eventos culturais mais aclamados de Natal, o Circuito Ribeira e a Virada Cultural, iniciadas em 2011. Em paralelo, no ano de 2012, iniciamos uma sessão mensal no espaço cultural U4º, onde realizamos o Dub Ribeira em parceria com a equipe do Monte Sião. Realizamos também diversas sessões na Cultura Clube e Point Roots, casas tradicionais do reggae em Natal. Dentre outras apresentações, destacam-se aquelas ao lado de Mad Professor, Brigadier JC (Roots Factory) e The Congos.”

“Hoje somos o resultado de todo este aprendizado. A ida à primeira edição do Festival UNOD, em 2013, onde eu tive o privilégio de ver o lendário Jah Shaka Sound System em ação, foi um divisor de águas. Nunca imaginei que naquele ano conheceria pessoalmente, além do próprio Shaka e sua equipe, as lendas do Alpha & Omega, Jah Tubbys, King Earthquake, Iration Steppas, etc. Logo depois vieram as duas participações no Festival Reunion of Dub, fechando um ciclo que agora está se renovando. Tive a oportunidade de conhecer de perto as ações do Quilombo Hi Fi, Africa Mãe do Leão, Zion Gate, Garage Sistema de Som, Reggaematic, Leggo Violence e High Public. Ter participado deste grande marco ao lado dos velhos e novos amigos, ouvir Channel One, Alpha Steppas, Kebra Ethiópia e os Jamaicanos Screechy Dan e Errol Dunkley, e presenciar toda essa evolução na cultura soundsystem do Brasil, são fatos que me deixam muito feliz.”

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“Por hora, estamos focados na reestruturação do Missigena Sound System e em breve retornaremos com novas atividades. A equipe hoje é formada por Klay (Missigena), fundador, seletor e operador do sound; Renato (Tapuyo), multi-instrumentista e mestre de celebrações; Francisco (Capitão Kinho), técnico de som e eletrônica e Gustavo (Guedes), o nosso produtor. Os próximos passos da nossa equipe estão direcionados à retomada das sessões mensais, onde apresentaremos uma proposta totalmente renovada. Também estamos resgatando as nossas atividades em estúdio, e em breve teremos novidades. Em paralelo, esperamos realizar parcerias de sucesso em ações de ocupação do espaço público, enfatizando o grau de importância que elas têm em lugares onde o acesso à cultura em geral é limitado, não só aqui em Natal, mas através de toda a rede cultural já estabelecida entre esta nova geração de equipes do Brasil.”

“Neste país, já existe uma identidade histórica peculiar com o reggae e os sistemas de som jamaicanos: o Maranhão e suas radiolas, uma tradição. De fato, dentro do contexto mundial, a cultura soundsystem vem se renovando a cada geração, e traços dela podem ser observados em quase tudo que se sabe sobre música. Nesse sentido, devemos sempre manter a essência contida nesta cultura, e o mais importante, ter a exata noção de aonde se quer chegar com ela.”

Saiba mais sobre o trampo do Missigena:

https://www.mixcloud.com/MissigenaSound/

https://www.facebook.com/MissigenaSoundSystem

https://myspace.com/missigenasounds/music/songs

One comment

  • EDGAR MACHADO
    17 de maio de 2016 - 13:46 | Permalink

    Big up Klay!

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