rap / hip hop

10 motivos pelos quais amamos os anos 90 (O hip hop ano a ano)

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(por Thais Aguiar)

Eu nasci em 1990, cresci na década considerada a “Era de Ouro” do Hip Hop. Obviamente não sabia de nada do que estava rolando na cena, até porque eu mesma só fui conhecer o Hip Hop em 2001 (quando muita magia já tinha rolado). Mas como amante e aprendiz da cultura, creio ser importante conhecer alguns fatos e momentos importantes que aconteceram nesse período e que, de certa forma, nos influenciam até hoje. Produtores como J Dilla, Dj Premier, Pete Rock, Madlib, Dj Quik, RZA são responsáveis por grande parte dos bons discos produzidos na Golden Era.

Confira os 10 motivos pelos quais amamos os anos 90, passando por momentos especiais de cada ano:

1) O álbum The Fear of a Black Planet

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Em 1990, Public Enemy lançou o álbum “Fear of a Black Planet”, e entrou na lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos. Explorando temas como a organização e o empoderamento da comunidade negra, o álbum critica o racismo institucional, a supremacia branca e o poder da elite. A dupla Salt ‘n Pepa, que já havia lançado outros dois discos nos anos 80, em 1990 lançaram o álbum “Black Magic”.

2) A estreia de Cypress Hill

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Em 1991, Cypress Hill chegava na cena, com um álbum auto intitulado que foi selecionado pela The Source como um dos 100 melhores álbuns de rap. Ainda A Tribe Called Quest lançava “The Low End Theory”, um álbum que mistura as batidas do hip hop com muito jazz, trazendo questionamentos sobre o consumismo e o vegetarianismo e, também entrou para a lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos. Como se não bastasse, nesse mesmo ano, De La Soul lançou o incrível “De La Soul is Dead”, e no Brasil, Ndee Naldinho lançava o álbum “Menos um Irmão Chega Disso”.

3) O álbum solo de Dr. Dre

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Em 1992, Dr. Dre lançou seu primeiro álbum solo, “The Chronic”. O disco, que também entrou para a lista dos 500 maiores álbuns de todos os tempos, foi essencial para o hip hop dos anos 90, popularizando o estilo G’funk. No Brasil, o Distrito Federal mostrava sua força com a estreia de GOG no álbum “ISO 9000 do Gueto” (relançado em 2015). E em São Paulo ainda tinha Pavilhão 9 lançando o álbum “Primeiro Ato”. Com letras políticas e de protesto, traz uma sonoridade que mescla rap com heavy metal, punk, rock e hardcord funk e uma pitada de reggae.

4) Racionais lança Raio X Brasil, e abre show do Public Enemy

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Em 1993, Gabriel O Pensador lançou seu primeiro álbum, um disco autointitulado que ganhou muita atenção antes mesmo de ser lançado, por conta do single “Tô feliz (Matei o Presidente)”. O single foi censurado pelo então presidente Collor, meses antes dele ser expulso do poder, devido aos escândalos de corrupção no seu mandato. Do Distrito Federal vinha outra bomba com a estreia de Câmbio Negro, seu álbum intitulado “Sub-Raça”. Enquanto os Racionais MCs abriam o show do Public Enemy, lançavam o álbum “Raio X Brasil”. E Snoop Dogg marcava sua estreia com o álbum “Doggy Style”. Sem esquecer da rainha Queen Latifah, que lançou “Black Reign”, e pra fechar o ano, KRS-One lançou, segundo a The Source, um dos melhores álbuns de rap dos anos 90, o “Return of Boom Bap”.

5) Notorious Big chegou na cena

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Em 1994, Notorious Big lançava seu álbum de estreia, “Ready to Die”. E como se não bastasse, esse ano foi cheio de lançamentos históricos, como o álbum “Illmatic”, do Nas. E “Funkdafied”, de Da Brat, primeira rapper feminina a ganhar um disco de platina. Bone Thugs n’ Harmony também fizeram história com “Creeping on ah come up”, e OutKast com “Southernplayalistcadillacmuzik”. Devido ao sucesso de “Sabotage, o retorno de Beastie Boys com “III Communication” foi ao topo quando o álbum chegou ao 1º lugar na parada de álbuns de R&B/hip hop da Revista Billboard .

6) Planet Hemp e os Usuários

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Em 1995, no Brasil, Planet Hemp causava polêmica com o lançamento de “Usuário”.Tupac Shakur lançava seu terceiro álbum de estúdio, “Me Against the World”. Esse disco foi incluído na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame, que relaciona os melhores álbuns já produzidos por artistas ou bandas de toda a história da música mundial. A Califórnia e seu clima quente, ajudava outro grupo a lançar um álbum histórico, The Pharcyde e”Labcabincalifornia”.

7) O álbum “The Score”

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Em 1996, The Fugees lançava o álbum “The Score”. Receberam disco de platina, com vários críticos e publicações o notando como um dos melhores álbuns dos anos 90, assim como um dos melhores álbuns de Hip Hop de todos os tempos. Tupac também soltava outro álbum tão histórico quanto o do ano aanterior, o “All eyes on me”, reconhecido como a obra prima de 2Pac e um dos melhores lançamentos de rap dos anos 90. No Brasil, Thaíde e Dj Hum lançavam o álbum “Preste Atenção”.

8) Racionais MCs e um dos melhores discos da música brasileira

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Em 1997, os Racionais MCs lançavam o álbum “Sobrevivendo no Inferno”. Com arranjos musicais simples, bateria básica e alguma melodia nos teclados, o LP figura na 14ª posição na lista dos 100 melhores discos da música brasileira da Revista Rolling Stones. Nesse ano, Wu Tang Clan lançava seu segundo álbum de estúdio, “Wu Tang Forever”, contendo 29 músicas. Missy Elliot lançava seu álbum de estreia, “Supa Dupa Fly”. E ainda teve o “Life After Death”, álbum póstumo de Notorious Big.

9) “The Misseducation of Lauryn Hill”

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Em 1998, Lauryn Hill lançava seu primeiro, e único, álbum solo gravado em estúdio, “The Miseducation of Lauryn Hill”, marcado pela incorporação de elementos musicais do hip hop, soul, música gospel e reggae, o que posteriormente ajudou a definir o estilo chamado de Neo Soul. Esse álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame, ganhou cinco, das dez nomeações ao Grammy. No Brasil, quem representava, e muito bem, as mulheres no Hip Hop era Dina Di, do grupo Visão de Rua, que nesse ano lançava o álbum “Herança do Vício”. Diretamente de Recife, representando o Nordeste e todo Brasil, Faces do Subúrbio também lançou um disco autointitulado. E uma parceria entre Mos Def e Talib Kweli deu origem ao álbum “BlackStar”.

10) Os “Versos Sangrentos” do Facção Central

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Em 1999, Facção Central lançou o álbum “Versos Sangrentos”, com batidas fortes e letras de protestos, relacionadas aos temas da corrupção, fome, violência policial e a ineficácia do governo. O disco foi censurado pelo Grupo de Atuação Especial ao Crime Organizado, sob a acusado de fazer apologia ao crime. Direto do Rio de Janeiro, outro álbum que sofreu a mesma acusação foi “Traficando Informação”, de MV Bill. Foi um ano especial também para RZO, que lançava o histórico álbum “Todos São manos”.

E aí, o que achou da lista? Foram muitos lançamentos importantes nesse ano, e também nos começos dos anos 2000, mas aí já é ideia pra outro post. Sentiu falta de algum álbum especial pra você dos anos 90? Abaixo, uma playlist especial com alguns dos grandes sons que marcaram essa época de ouro!

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